Os versos se lembram de mim

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 17 de Agosto de 2026 ás 07h 33min

 Os Poemas se Lembraram de Mim
Rosy Neves
 
Um dia, todos esqueceram meu nome,
meu rosto,
o som cansado da minha voz.
O tempo passou devagar,
como uma chuva triste sobre as janelas,
levando de mim aquilo que um dia fui.
 
Ninguém mais soube dizer
onde moravam os meus olhos,
nem qual era o perfume das minhas manhãs.
Meu nome virou silêncio
na boca daqueles que um dia
prometeram nunca me esquecer.
 
Mas, em algum canto esquecido,
sobre uma mesa coberta de poeira,
restaram meus poemas.
 
Papéis velhos,
amarelados pelo tempo,
rasgados nas bordas,
carregando ainda
as lágrimas que derramei
entre uma palavra e outra.
 
E foi assim que descobri,
com uma tristeza quase bonita,
que talvez eu nunca tenha sido
o meu próprio nome.
 
Eu fui aquilo que escrevi.
 
E quando todos esqueceram meu rosto,
os meus versos continuaram respirando.
 
Quando ninguém mais reconheceu minha voz,
as palavras ainda sussurravam por mim.
 
Talvez seja essa
a pequena eternidade dos poetas:
 
partir sem despedida,
ser esquecido pela memória dos homens,
e, ainda assim, permanecer
em um papel velho e rasgado,
onde alguém, muitos anos depois,
encontre um poema
e diga baixinho:
 
“Alguém esteve aqui.
Alguém sentiu profundamente.
Alguém amou.”

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