Os olhos do Rei
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 05 de Julho de 2026 ás 07h 33min
Os Olhos do Rei
Rosy Neves
Os olhos do Rei ainda estão acesos,
voltados para o mar negro onde navego
em embarcações quebradas,
costuradas pela esperança
e pelo silêncio das tempestades.
As ondas chamam meu nome
como quem conhece antigos naufrágios;
o vento dobra minhas velas cansadas,
mas uma luz permanece,
firme no horizonte invisível.
Os olhos do Rei...
Não, não é presságio,
nem punição.
É cuidado.
É amor.
É a chama que não se apaga
quando todas as estrelas se escondem.
É a vigília serena
daquele que conhece cada lágrima do oceano,
cada medo oculto nas profundezas,
cada oração que o vento leva
sem que os lábios a pronunciem.
Se minhas mãos já não encontram o leme,
os olhos do Rei tornam?se bússola.
Se a noite veste o mundo de sombras,
eles acendem o caminho
como faróis eternos sobre as águas.
E compreendo, enfim,
que não navego sozinha.
Porque o amor verdadeiro
não abandona os barcos partidos.
Permanece desperto,
com os olhos acesos,
até que o mar negro
se transforme, lentamente,
na aurora da paz.