Os olhos do rei
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 01 de Maio de 2026 ás 20h 25min
Os olhos do rei
Guardam mares antigos
onde o tempo se curva em silêncio,
como folhas de outono
que não ousam tocar o chão.
Nos olhos do rei
há um céu que nunca anoitece por inteiro,
um clarão de batalhas esquecidas
e sonhos que ainda respiram
entre coroas de ouro e solidão.
São faróis erguidos na distância,
vigiando destinos que não são seus,
mas que pesam em suas pálpebras
como o peso invisível do mundo.
Ah, os olhos do rei…
não choram como os homens comuns,
mas sangram em segredo
no íntimo de um trono vazio.
E ainda assim,
quando a aurora toca sua face cansada,
há neles um brilho suave —
quase humano, quase eterno —
como se, por um instante,
o rei esquecesse que é rei
e apenas sonhasse
ser livre.