Os olhos do Rei Arcanjo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 23 de Agosto de 2026 ás 09h 40min

 Os Olhos do Rei Arcanjo

Rosy Neves

 

Se eu não tivesse olhado para o Rei Arcanjo

naquela noite,

talvez nada disso tivesse acontecido.

Talvez o silêncio ainda dormisse

entre as estrelas,

e meu coração não soubesse

o peso de uma saudade.

 

Mas eu olhei…

 

E os olhos dele eram duas espadas,

espadas de dois gumes,

que atravessaram a noite

e perfuraram a minha alma.

Não houve sangue,

apenas luz —

uma luz antiga,

nascida de algum lugar

onde os anjos guardam seus segredos.

 

Depois, aqueles olhos

se transformaram em estrelas,

espalhadas pelo Cosmo,

como pequenas feridas luminosas

na imensidão do infinito.

 

Hoje, quando ergo os olhos para o céu,

procuro entre nebulosas

a sombra daquele olhar.

 

E choro…

 

Choro baixinho,

como quem conversa com o universo,

porque a saudade do Rei Arcanjo

não cabe mais no peito.

 

Talvez ele esteja além das galáxias,

caminhando por um reino

que meus olhos não alcançam.

 

Mas, naquela noite,

quando nossos olhares se encontraram,

uma parte de mim ficou com ele.

 

E desde então,

toda vez que uma estrela cai,

eu penso:

 

é o Rei Arcanjo

deixando mais um pedaço de luz

para eu não esquecer

que um dia seus olhos

perfuraram a minha alma.

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