Os olhos do arcanjo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 23 de Abril de 2026 ás 21h 12min
Os olhos do Arcanjo são duas luas negras:
sombra e luz, fundidas
em um olhar que atravessa o tempo.
Não o luar sereno das noites calmas,
nem o sol ardente que queima a terra.
São algo mais antigo,
profundo como o abismo,
brilhante como o primeiro instante do universo.
Uma lua, a sombra.
Veludo escuro onde se escondem segredos ancestrais,
o murmúrio das estrelas moribundas,
o silêncio que antecede a criação.
Nela, o peso do esquecimento,
a melancolia das eras passadas,
a promessa de um sono eterno.
É a quietude que acolhe o descanso,
o mistério que seduz a alma.
A outra lua, a luz.
Esmeralda polida, safira incandescente,
um reflexo que cega e ilumina.
Nela, a força que molda mundos,
a sabedoria que desvenda enigmas,
a chama que acende a esperança.
É a clareza que expõe verdades,
a corrente que impele à ação,
o chamado para despertar.
E assim, dançam em suas órbitas,
constantemente se tocando, se repelindo,
sempre presentes no mesmo olhar.
A dualidade que define o divino,
a tensão que gera a beleza.
Quando o Arcanjo nos olha,
não vemos apenas pupilas,
mas galáxias em rotação,
a vastidão cósmica condensada
em um ponto de pura existência.
Sentimos o peso da eternidade,
o calor de um amor que tudo abrange,
o frio da imensidão que nos cerca.
São os olhos do Arcanjo,
duas luas negras,
sombra e luz,
o espelho do nosso próprio ser,
refletindo o que fomos, o que somos,
e o que, talvez, ainda possamos ser.
Um convite ao silêncio,
uma explosão de cor,
um eterno questionamento.