Os olhos do arcanjo arqueiro

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 14 de Outubro de 2026 ás 20h 18min

Os Olhos do Arcanjo Arqueiro

 

Por Rosy Neves

 

Os olhos do arcanjo arqueiro

ainda me vigiam ao longe,

perdidos nas névoas de um tempo

que já não pertence aos homens,

nem aos relógios cansados

de contar os séculos do mundo.

E eu navego…

Navego entre mares que não são deste mundo,

onde as ondas carregam os suspiros dos anjos

e as estrelas naufragadas

dormem no ventre de um azul profundo.

Meus remos estão gastos,

meu barco conhece a solidão,

e há um silêncio tão antigo sobre as águas

que até Deus parece escutar

as lágrimas do meu coração.

 

 

Não me chames…

O mar entre nós é feito de eternidades,

de promessas desfeitas no escuro,

de caminhos que se perderam

na primeira lágrima derramada

sobre os alicerces do universo.

E, no entanto, eu sinto…

Sinto o teu olhar atravessando as brumas,

como uma flecha de luz

que não fere a carne,

mas desperta as dores adormecidas

nas profundezas da alma.

 

Silêncio!

Uma estrela acaba de cair

no horizonte que não existe.

O vento ajoelha-se sobre as águas,

e meu pequeno barco estremece

diante da imensidão que me assiste.

Continuo navegando…

Sem saber onde termina o mar,

sem saber onde começa o céu,

levando no peito um oceano de perguntas

e nos olhos a saudade

de um lugar que nunca conheci.

Lá longe, o arcanjo permanece.

Seu arco repousa entre as névoas,

sua flecha aponta para o infinito,

e seus olhos — ah, seus olhos! —

guardam o mistério de uma despedida

que jamais chegou a acontecer.

E eu sigo…

Peregrina dos mares impossíveis,

sob a vigília de um olhar celestial,

procurando um porto além das galáxias,

onde minha alma possa finalmente repousar

sem temer as ondas,

sem interrogar o silêncio,

sem carregar os séculos

de um mundo que nunca foi o meu.

 

 

Porque há olhares que permanecem,

mesmo quando os caminhos se desfazem.

E há almas que continuam navegando

não porque desconheçam o regresso,

mas porque, em algum lugar além das estrelas,

ainda escutam o chamado

de um mistério sem nome.

 

 

 

 

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