Os lauriéis do fim do mundo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 12 de Agosto de 2026 ás 16h 29min
Os Lauriéis do Fim do Mundo
Rosy Neves
No fim do mundo,
onde o último suspiro da noite
beija as montanhas do infinito,
há uma árvore de luz
crescendo sobre o silêncio.
Em seus galhos celestiais,
os lauriéis florescem devagar,
como pequenas coroas
de estrelas esquecidas.
Ninguém sabe quem os plantou.
Talvez um anjo cansado
de atravessar o universo,
talvez uma mão divina
que semeava esperança
entre os abismos do céu.
E eu caminhei até lá,
descalça de todas as certezas,
carregando no peito
um coração cheio de tempestades.
Silêncio...
Ao longe,
um sino invisível tocou.
As estrelas se inclinaram,
e o céu abriu suas portas
como um templo antigo.
Então compreendi:
os lauriéis do fim do mundo
não eram feitos para coroar reis,
nem guerreiros,
nem aqueles que venceram batalhas.
Eram para os que permaneceram
quando tudo parecia terminar.
Para aqueles que choraram em silêncio,
mas ainda guardaram uma pequena luz
dentro da alma.
Para os que atravessaram a noite
sem saber onde estava o amanhecer.
Peguei um único laurel
e o coloquei sobre o coração.
E naquele instante,
o fim do mundo deixou de ser o fim.
Era apenas
a primeira porta
para um céu desconhecido.
E acima de mim,
um anjo de asas abertas
atravessava a eternidade,
levando consigo
os últimos lauriéis
da terra...
para coroar
as almas
que nunca desistiram de sonhar.