Os lábios dos lírios
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 25 de Março de 2026 ás 19h 47min
Quando a lua flutuante
toca, em silêncio, os lábios dos lírios,
há um suspiro antigo no vento,
como se o mundo esquecesse de respirar.
E eu —
perdida entre raízes e sombras —
afundo neste mar espesso de lodo,
onde os sonhos já não florescem,
apenas se dissolvem.
Ergo as mãos, frágeis, trêmulas,
em direção a um céu que não responde,
como quem chama por um nome
que nunca foi ouvido.
Mas o vazio…
o vazio apenas ecoa.
E assim me resta
o pranto —
um rio silencioso que escorre por dentro,
lavando aquilo que já não pode ser salvo.
Choro não por esperança,
mas por memória —
do que fui,
do que amei,
do que se perdeu em mim.
E sob a lua,
entre lírios que não me tocam mais,
eu aprendo, lentamente,
a me afogar em mim mesma.