Os girassóis do fim do mundo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 29 de Março de 2026 ás 09h 06min
Os girassóis do fim do mundo
No horizonte onde o tempo se desfaz,
nascem girassóis de luz silenciosa,
virados não ao sol, mas ao invisível,
como se escutassem vozes de outro céu.
Suas pétalas guardam portais antigos,
sussurros de universos esquecidos,
e cada semente é um segredo aberto
para além do que os olhos alcançam.
Caminho entre eles como quem sonha,
pisando em chão que já não é matéria,
e o vento — ah, o vento — me chama
com mãos feitas de eternidade.
Ali, o fim do mundo não é queda,
mas travessia de um véu dourado,
onde a alma se despe do peso
e aprende a ser constelação.
Os girassóis me mostram o caminho:
não para longe, mas para dentro,
onde outras dimensões florescem
em silêncio, vastas como o infinito.