Os cacos da minha alma
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 20 de Setembro de 2026 ás 07h 51min
Os Cacos das Minhas Lágrimas
Eu ainda estou reconhecendo
os cacos das minhas lágrimas,
um por um,
como quem recolhe estrelas quebradas
na margem esquecida do tempo.
Com eles, desenho no fim do mundo
um fino rio de silêncio,
uma pequena cascata de luz
que escorre lentamente
sobre o peito de Miguel, o Arcanjo.
E cada gota que toca suas asas
carrega uma memória minha,
um nome que o vento não apagou,
uma prece que ficou suspensa
entre o céu e o abismo.
Ele permanece em silêncio.
Talvez escute,
no rumor daquela água,
tudo aquilo que minha alma
não conseguiu dizer.
E o rio continua descendo,
atravessando constelações,
molhando as pedras do infinito,
até desaparecer
onde nenhum mundo termina.
Eu, porém, continuo ali,
juntando meus cacos,
tentando desenhar com minhas lágrimas
um caminho de volta
para a última estrela
que ainda respira dentro de mim.