Eu não te espero como quem cobra o tempo,
há em mim apenas um estar desperto,
um cuidado manso com o que sinto
e um silêncio que não pede resposta.
Carrego teu nome sem dizê-lo em voz alta,
como quem guarda algo sagrado no peito,
não para esconder do mundo,
mas para não ferir o que é vivo.
Meu amor não chama, não exige passos,
ele caminha comigo, atento e sereno,
aceitando o ritmo das horas
sem se perder na ansiedade do agora.
Se um dia teus olhos me procurarem,
saberão onde me encontrar inteira:
no mesmo lugar onde sempre estive,
em vigília, sem fechar o coração.