Onde o amor permanece

| Poesia Amorosa | Dolores Flor
Publicado em 20 de Setembro de 2026 ás 18h 59min

Há sentimentos que chegam
como a chuva breve de setembro
tocam a tarde, perfumam a terra
e partem antes que a noite os reconheça.

 

O meu permaneceu.

 

Aprendeu a linguagem das estações,
assistiu aos calendários perderem as folhas,
atravessou caminhos imprevistos
e ainda reconheceu sua presença
quando o tempo nos aproximou novamente.

 

Não permaneceu por insistência,
tampouco porque a vida tenha ficado
retida naquele primeiro encontro.
Permaneceu porque encontrou em você
uma dimensão que nenhuma distância
conseguiu reproduzir.

 

Amei sua presença
e também a lembrança que ficou.
Amei sem vigiar o curso dos dias,
como a raiz preserva a profundidade
sem exigir da árvore
a promessa de uma nova floração.

 

E, se algumas vezes me inquieto,
não é por duvidar do que sinto.
É porque um amor tão antigo
também deseja repousar
em um lugar onde não precise justificar
a própria permanência.

 

Hoje compreendo:
há sentimentos que não passam
porque já não caminham ao nosso lado,
caminham em nosso interior.

 

E você, talvez sem perceber,
tornou-se essa parte de mim
que o tempo visitou tantas vezes,
mas jamais conseguiu levar.

 

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