Olhos sombrolentos
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Maio de 2026 ás 13h 43min
Olhos Sombrolentos
Ao longe, debruçada na varanda da fazenda,
ela olhava os jasmins brancos,
tão perfumados, tão macios,
que pareciam feitos de luz e brisa.
Segurava as flores com delicadeza entre os dedos,
sentindo o seu aroma doce e intenso,
e, ao esmagá-las suavemente, ela sorria…
Lá fora, passarinhos livres e vagabundos
pousavam como pequenos bailarinos
dançando entre os seus dedos,
bebendo o néctar doce das flores,
embriagando-se de pura felicidade…
E ela dizia, numa voz quase sussurrada,
tão suave que se confundia com o vento:
— Cuidado! Cuidado, meus pequenos…
Não se embriaguem demais!
Pois, em breve, voareis pelos céus,
levados por essa mesma doce loucura
que habita, calma e intensa,
no fundo da minha alma…
Os olhos dela, sombrolentos,
tão escuros, profundos e misteriosos,
eram como duas noites sem luar,
imensas e caladas.
Dois cântaros profundos, cheios de segredos,
duas luzes que, por fora, pareciam apagadas…
Mas, ainda assim, ela sorria com a alma,
e também se embriagava,
não com o vinho, mas com a beleza do mundo
e com a alegria simples daqueles passarinhos…