Olhos do Rei
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 11 de Junho de 2026 ás 09h 03min
Olhos do Rei
de Rosy Neves
Ó meu Deus, livra-me dos olhos do Rei,
que são duas chamas acesas ardendo sobre as dunas do destino.
Eu os vi brilhar entre os minaretes dourados do entardecer,
e desde então meu coração caminha perdido
como uma caravana sem rumo entre os desertos da alma.
Livra-me, Senhor, do amor que habita nesses olhos.
Eles me seguem como luas gêmeas sobre o Saara,
como duas estrelas inquietas refletidas nas águas secretas do Bósforo.
Quero fugir.
Quero esconder-me sob a sombra das oliveiras antigas,
entre os jardins perfumados de jasmim,
onde nem o vento saiba meu nome.
Mas o amor do Rei atravessa muralhas,
atravessa mares,
atravessa os silêncios que construo para proteger meu coração.
Ó meu Deus, esse amor é grande demais para mim.
Sou apenas uma folha carregada pelo vento da noite,
e ele é um oceano sem margens,
um céu inteiro de constelações inclinado sobre minha pequena existência.
Livra-me dos seus olhos, dessas duas chamas eternas.
Pois quando tento esquecê-lo,
escuto sua respiração misturada ao canto distante dos muezins,
e quando fecho os olhos,
vejo seu rosto surgindo entre as estrelas do Oriente.
Ó meu Deus, se for possível, afasta-me desse amor.
Mas se estiver escrito nas areias do tempo e nos livros invisíveis do céu,
então concede-me apenas isto:
que eu não me consuma por completo nas chamas dos olhos do Rei,
e que reste em mim uma única lágrima de luz
para recordar que um dia fui amada por um coração
maior que o deserto,
mais profundo que o mar,
e mais antigo que as estrelas.