Ode ao despertar da noite eterna
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 24 de Março de 2026 ás 19h 30min
Ode ao Despertar na Noite Eterna
Enquanto dormias na sombra da terra fria,
silente como as raízes que abraçam o esquecimento,
minha alma — chama errante —
chamava o teu santo nome
na vasta noite que não tinha margens.
Ó tu, ausente e profundo,
em cuja quietude o tempo se recolhe,
eu era um oceano cósmico,
infinito e inquieto,
onde navegava sem rumo
e naufragava em constelações de saudade.
As estrelas — pálidas testemunhas —
escutavam meu pranto dissolvido no vazio,
e cada onda que em mim se erguia
era um verso quebrado
tentando alcançar teu silêncio sepulcral.
Enquanto dormias,
eu te buscava nas fendas do universo,
nos corredores frios da eternidade,
onde o eco do teu nome
era a única luz que me restava.
Mas agora...
agora que despertas da sombra da terra fria,
como um milagre rompendo o véu da noite,
permite-me repousar em tua aurora.
Deixa que minha alma, exausta de infinitos,
ancore enfim em teu peito sereno,
como quem retorna de um abismo sem fim
para um lar que sempre foi teu.
E se ainda houver noite em mim,
que ela adormeça em teus braços,
pois já não quero ser oceano —
quero ser descanso.
Comentários
Singeleza e poesia em nome da arte. Parabéns
ADAILTON LIMA | 25/03/2026 ás 09:39