Oceano do arcanjo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 05 de Abril de 2026 ás 21h 15min

Oceano do Arcanjo

 

Estou perdida,

em um oceano que não é desse mundo.

As águas não são de sal,

mas de lágrimas —

lágrimas do arcanjo,

que chora baixinho

no nevoeiro do universo.

 

Cada gota que cai

tece um véu de prata,

e o véu se estende,

como um manto sobre o infinito.

 

As lágrimas brilham,

e quando tocam o abismo,

transformam-se em estrelas cadentes,

riscando o silêncio do firmamento.

 

Essas estrelas,

como fios de luz,

formam um caminho —

um caminho que me chama,

que me convida a atravessar

as marés do impossível.

 

O arcanjo, oculto entre névoas,

suspira meu nome em segredo.

Seus olhos, dois sóis cansados,

refletem o eco da criação.

 

E eu, pequena e trêmula,

sinto o peso da eternidade

em cada onda que me toca.

 

O oceano murmura histórias antigas,

de mundos que nasceram do pranto,

de sonhos que se dissolveram

no hálito das constelações.

 

E eu sigo,

guiada por esse lamento luminoso,

por esse choro que é também canção.

 

Longe, muito longe,

há uma cidade encantada.

Seus portões são feitos de aurora,

suas torres, de bruma e esperança.

 

Lá, dizem, o tempo dorme,

e o amor não conhece fronteiras.

Quero ir para lá.

Quero atravessar o mar de lágrimas,

seguir o rastro das estrelas,

tocar o horizonte onde o céu se curva

para beijar o mistério.

 

Talvez, quando eu chegar,

o arcanjo sorria.

Talvez suas lágrimas cessem,

e o oceano se transforme

em um espelho de paz.

 

Mas até lá,

navego entre constelações líquidas,

com o coração aceso

pela promessa distante

de uma cidade encantada

que me espera —

além do pranto,

além do mundo,

além de mim.

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