No cais do peito nasceu um silêncio,
e dele brotou a primeira palavra.
Tímida, vestia saudade,
mas carregava a coragem do reencontro.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Seguiu por rios de lembranças,
onde a esperança remava devagar.
Cada letra era um passo, cada sílaba, um suspiro antigo.
Encontrou a alegria sorrindo nas margens,
colhendo flores de instantes felizes.
Logo adiante, a tristeza apareceu,
com os olhos molhados de despedidas.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
As palavras não recuaram.
Abraçaram o medo com delicadeza,
convidaram a solidão para caminhar
e ensinaram o perdão a florescer.
No horizonte dançava a gratidão,
iluminando pontes invisíveis.
O amor abriu caminhos de luz,
enquanto a confiança desfazia tempestades.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Havia também a dúvida,
escondida atrás das pedras do rio,
tentando prender a viagem.
Assim, a travessia continuou,
costurando afetos entre corações distantes.
As lágrimas tornaram-se espelhos,
os sorrisos ganharam voz,
e os sonhos aprenderam a navegar.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Quando a última palavra alcançou a outra margem,
não era mais apenas linguagem:
era memória feita ponte,
era sentimento feito poesia,
era a coragem de atravessar
os rios invisíveis da alma,
porque toda palavra que nasce
com verdade e afeto
sempre encontra um coração
onde chegar.