O veleiro do fim do mundo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 17 de Julho de 2026 ás 22h 37min
O Veleiro do Fim do Mundo
Rosy Neves
Eu vi um veleiro perdido na encosta do mundo,
onde o horizonte se desfazia em névoas de estrelas.
As velas respiravam um vento antigo,
que jamais soprara sobre os mares da Terra.
Os marujos não eram da terra.
Traziam nos olhos constelações adormecidas
e, em suas mãos, mapas escritos
com a tinta silenciosa da eternidade.
Nenhuma palavra saía de seus lábios,
mas suas almas cantavam
uma melodia que fazia o oceano estremecer,
como se Deus ainda escrevesse poemas sobre as águas.
Passei por eles em silêncio,
com o coração suspenso entre o medo e o encanto.
Um deles sorriu para mim,
e naquele instante compreendi
que a saudade também pode vir das estrelas.
Então o veleiro afastou-se lentamente,
navegando para além da última luz do céu,
onde o tempo deixa de existir
e os sonhos encontram um porto invisível.
Desde esse dia, quando a noite cobre o mundo,
procuro no mar o brilho daquela embarcação.
Talvez um dia ela volte,
não para levar meu corpo,
mas para ensinar minha alma
o caminho secreto dos navegantes do infinito.