O veleiro da melancolia
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 12 de Junho de 2026 ás 09h 55min
O Veleiro da Melancolia
de Rosy Neves
Nas verdes colinas da antiga Irlanda,
onde a névoa repousa sobre os lagos adormecidos,
eu caminho sozinha entre os ventos do crepúsculo,
carregando um coração feito de mar.
O meu coração é um veleiro perdido
na vasta imensidão do mundo.
As suas velas tremem sob céus sem estrelas,
e os remos do destino dormem em silêncio.
Tudo é escuro.
Silêncio.
Até mesmo os rouxinóis das florestas celtas
guardam suas canções nas asas recolhidas da noite.
E eu ergo os olhos para o alto e pergunto:
— Meu Deus, quando acenderás a chama
que aquece o coração dos homens terrenos?
Quando nascerá a centelha dourada
capaz de iluminar os caminhos esquecidos,
como um fogo sagrado ardendo sobre as pedras antigas
dos reis e dos bardos que já partiram?
Dá?me uma faísca apenas.
Uma única luz.
Para que os meus olhos cansados possam encontrar abrigo
num amor solene e gentil,
num amor que não fira como os ventos do inverno,
nem desapareça como a espuma das ondas.
Estou melancólica.
Como os penhascos que contemplam o oceano
há milênios de espera e saudade.
Mas ainda escuto, ao longe,
o murmúrio de uma harpa invisível
tocada pelas mãos do destino.
E então compreendo:
Mesmo na noite mais profunda,
a chama já viaja em direção ao viajante.
Talvez ela esteja atravessando mares distantes,
talvez caminhe sob a chuva entre os vales da Terra.
E quando enfim chegar,
meu coração veleiro não estará mais perdido.
Encontrará um porto de ternura,
e repousará suas velas
na tranquila eternidade do amor.