O trem das onze

Poemas | Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 28 de Maio de 2026 ás 15h 18min

O Trem das Onze

 

Te perdi, para sempre, numa tarde de domingo.

O trem das onze partiu, solene e inevitável,

levando contigo o brilho dos teus olhos

para dentro da profunda e vasta solidão das névoas.

O nevoeiro cerrado envolvia os vagões,

que iam desaparecendo, um a um, desesperados e calados,

engolidos pela imensidão cinzenta do horizonte…

 

E o silêncio que ficou em minha alma,

esse não era apenas silêncio vazio:

era uma melancolia densa, pesada e eterna.

Era uma voz que morria sufocada

pela ausência súbita da tua alma,

era um eco ferido, repetindo o teu nome baixinho,

na estação vazia, abandonada e fria do tempo.

 

O trem das onze partiu…

Talvez rumo ao infinito, talvez rumo à eternidade,

para onde vão os amores que não podem ficar.

Lá onde as estrelas são meras poetisas sonhadoras,

meninas de rosto claro e olhos adornados

com pérolas raras, colhidas nos mares mais profundos.

 

Longe… tão longe de mim…

um adeus murmurava ao vento a tua partida,

quase uma canção muda e sem som,

tão leve que mal se podia ouvir,

mas tão profunda e dolorosa

que arrastava todos os meus pensamentos,

todas as minhas lembranças,

diretamente até ti.

 

Ó meu Deus… meu Deus…

Será que ele ainda se lembra de mim?

Será que sabe da imensa melancolia

que desde então habita e alarga o meu peito?

Será que sabe do amor grande, imenso e fiel

que permaneceu inteiro comigo,

enquanto ele partia, cada vez mais distante,

naquele trem?

No trem das onze.

 

Quem dera os anjos, lá do alto,

ouvissem o meu clamor silencioso e triste,

e compreendessem, enfim,

o meu idioma feito inteiramente de lágrimas.

Quem dera, piedosos, me enviassem um sinal,

uma pequena prova de que ainda existo para ti:

um vento leve rezando entre os galhos das árvores,

uma folha de outono descendo devagar, muito devagar,

ou apenas uma gota de orvalho transparente e pura

repousando, como uma joia, sobre as flores da madrugada…

 

Ah, meu Deus… como eu chorei,

como o meu coração se despedaçou em pedaços,

quando ele partiu.

Partiu no trem das onze,

levando consigo a metade do céu que eu via,

a luz dos meus dias,

e deixou em minhas mãos vazias e trêmulas

somente a fumaça que se desfaz no ar,

a saudade que nada preenche,

e o som distante, cada vez mais fraco,

dos trilhos desaparecendo, para sempre, na noite.

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