O Tempo Não Espera
| | 2026/4 Antologia Breves narrativas do cotidiano: entre histórias e versos do dia a dia | Dorenice Flor Da CruzPublicado em 13 de Abril de 2026 ás 15h 51min
Tem dias em que o tempo parece ter criado asas. Mal amanhece, e quando percebemos, a noite já chegou silenciosa, como quem não quer interromper, mas já tomou conta de tudo. Os ponteiros do relógio parecem mais apressados, quase impacientes, como se corressem atrás de algo que a gente não consegue ver.
E é curioso… até os dias difíceis passam assim. Aqueles que começam pesados, cheios de dúvidas ou cansaço, também escorrem pelos dedos. No meio do turbilhão, a gente pensa que não vai dar conta, que vai demorar uma eternidade para tudo melhorar. Mas, de repente, passou. Não porque foi fácil, mas porque o tempo, esse viajante constante, nunca para, para esperar a dor ir embora, ele simplesmente segue.
Talvez seja isso que assuste e, ao mesmo tempo, traga um certo conforto. A vida não pausa, nem nos momentos bons, nem nos ruins. Tudo é movimento. Tudo é passagem.
E no meio dessa pressa toda, fica um lembrete silencioso: se até os dias difíceis passam, então cada instante — por mais simples que seja — também merece ser sentido. Porque, no fim, o tempo não está acelerando… somos nós que estamos aprendendo, aos poucos, a perceber o quanto ele é precioso.