O tecido negro do tempo
| Poesia Lírica | 2026/9 Antologia O invisível que a palavra revela | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 02 de Setembro de 2026 ás 20h 25min
O Tecido Negro do Tempo
Rosy Neves
Sobre o tecido negro do tempo,
cai uma fina névoa,
silenciosa como um segredo
que o universo esqueceu de contar.
E, pouco a pouco,
ela vai revelando o invisível
que as palavras escondem,
o que os olhos não alcançam,
mas a alma reconhece.
Há sombras costuradas nos séculos,
fios de memória presos ao infinito,
fragmentos de vozes antigas
adormecidas entre as estrelas.
Cada palavra é uma pequena fissura
na escuridão do mistério;
por ela escapa um fio de luz,
tímido, quase impossível,
mas suficiente para iluminar
aquilo que jamais teve nome.
A névoa continua descendo…
e o tempo, imóvel, observa.
Como se soubesse
que um dia todas as coisas ocultas
serão reveladas.
Não pela força dos olhos,
nem pelo peso das mãos,
mas pela poesia —
essa estranha linguagem
que atravessa o silêncio
e toca o invisível.
E então compreendo:
há mundos inteiros
escondidos dentro de uma sílaba,
há eternidades adormecidas
entre duas palavras,
e há segredos
que somente a alma
sabe ler.