O sono na eternidade
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 27 de Maio de 2026 ás 20h 45min
O Sono na Eternidade
Ele ainda dorme profundamente nas brancas areias das estrelas,
imóvel e sereno,
tal como um sonho que se perdeu há muito tempo
no silêncio absoluto e sagrado do universo.
O Arcanjo, de pé ou ajoelhado na imensidão,
vela o nome dele com uma reverência infinita,
curvando-se entre constelações que já eram velhas
antes mesmo de o tempo começar a contar a sua história.
Ele guarda com extremo cuidado nas suas mãos poderosas
as últimas, tênues e preciosas brasas
que ainda restam da sua memória.
Silêncio…
Que há uma tristeza diferente, uma dor santificada,
pairando devagar e solenemente sobre todos os céus.
As estrelas, uma por uma,
começam a chorar luz lentamente,
derramando o seu brilho sobre o corpo imenso e escuro do infinito.
E a noite, vestida de névoa espessa e fria,
aproxima-se e cobre os ombros cansados do mundo
com o seu pesado manto de abandono e solidão.
Ele ainda dorme…
Tão distante da voz, do barulho e da vida dos homens,
tão longe das primaveras, das flores e das estações da Terra,
que parece alguém que, um dia, decidiu desistir de regressar,
escolhendo permanecer para sempre
nas profundezas caladas e eternas do desconhecido.
E o Arcanjo permanece ali, imóvel como uma torre de luz,
os seus olhos imensos acesos
com uma estranha e melancólica luz dourada,
vigiando, protegendo e preservando
aquele nome raro, quase proibido,
que nem o próprio Tempo, com o seu poder de apagar tudo,
ousou ou conseguiu esquecer.
Às vezes, raras vezes,
o vento que percorre o cosmos traz até nós
fragmentos perdidos da sua lembrança:
um perfume suave de estrelas queimadas e apagadas,
um eco longínquo de lágrimas derramadas há séculos,
ou o sopro de uma canção antiga
que se perdeu, triste e esquecida,
entre órbitas frias e planetas sem luz.
Mas ninguém… ninguém o desperta.
Ninguém tem a força, nem a vontade, nem o direito.
Porque existem dores tão grandes e profundas,
e existem destinos tão pesados e sagrados,
que eles escolhem dormir para sempre,
em paz e em segredo,
nas areias silenciosas, brancas e intocadas
da eternidade.