O silêncio Sombrolento

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 05 de Setembro de 2026 ás 11h 37min

 O Silêncio Sombrolento
Rosy Neves
 
O céu recolheu suas estrelas
uma a uma,
como quem fecha lentamente
as portas de uma eternidade.
 
E ele permaneceu ali,
com as asas recolhidas,
e o choro escondido nas mãos,
como se até as lágrimas
tivessem medo de cair.
 
Um silêncio perturbador
invadiu o colo de sua alma.
 
Não era um silêncio qualquer…
 
Era sombrolento.
 
Um silêncio feito de sombras,
de ausências,
de coisas que morreram
sem jamais terem conhecido a despedida.
 
As constelações se calaram.
A lua desviou o olhar.
E até o vento,
que conhecia os segredos do infinito,
passou sem dizer seu nome.
 
Ele fechou os olhos.
 
Talvez esperasse ouvir
uma voz antiga entre os astros,
um chamado vindo de algum lugar
onde a eternidade ainda respirasse.
 
Mas nada.
 
Somente aquele silêncio…
 
Profundo como um abismo,
frio como uma noite sem amanhecer,
escuro como uma lembrança
que ninguém ousa tocar.
 
E então uma lágrima
escorreu entre suas mãos.
 
Pequena.
 
Quase invisível.
 
Mas quando tocou o chão,
nasceu uma estrela.
 
Porque algumas lágrimas
não sabem morrer.
 
Elas procuram o céu
e, quando encontram o caminho,
transformam a dor
em luz.

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