O silêncio do arcanjo
Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 21h 14min
A voz do arcanjo
ainda vibra,
não em meus ouvidos de carne,
mas no tecido fino da minha alma.
É um sussurro antigo,
uma promessa gravada
no silêncio que se segue à tempestade.
Eu escuto
a respiração lenta,
aquela cadência imperturbável,
o ritmo constante que o tempo não desgasta.
É a respiração
do que sabe o fim e o começo,
do que viu montanhas nascerem
e oceanos se recolherem.
E os passos firmes,
ecoam no corredor secreto da memória,
não de pés sobre o chão,
mas de intenção sobre o caos.
Um caminhar seguro,
sem hesitação,
que corta a névoa da dúvida
com a precisão de uma lâmina de luz.
Passos que não tropeçam,
mesmo quando o caminho é escuridão.
Eu sei que eles estão lá,
marcando o ritmo da minha jornada.
Esta ressonância,
esta melodia de presença invisível,
é o meu porto seguro.
Quando o mundo grita
e as certezas se desfazem em pó,
eu fecho os olhos internos
e deixo que a frequência Dele me acalme.
A paz não é ausência de barulho,
descobri.
É a certeza absoluta
de que há uma ordem maior tecendo tudo.
É saber que,
por trás da cortina de fumaça
do dia a dia frenético,
a guarda não foi retirada.
A voz do arcanjo
é a âncora que impede minha nau
de ser levada pelas ondas traiçoeiras da aflição.
Os passos firmes
são a garantia de que o destino é conhecido,
mesmo quando eu me perco na neblina.
E a respiração lenta,
ah, essa respiração,
é o convite constante
para eu respirar junto,
com a mesma calma primordial.
É por isso que a paz reside aqui,
neste espaço íntimo e guardado.
Não é um presente conquistado,
mas uma herança escutada,
uma verdade que insiste em não ser esquecida.
Eu sou um eco do que é eterno,
e nesse eco,
encontro o meu repouso.