O silêncio do amor
Poemas | Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 03 de Março de 2026 ás 17h 08min
O silêncio do amor
Não é ausência
de som,
não é o vazio
que se espera
em corredores frios.
É a pausa
entre duas respirações
que se encontram
no mesmo ar,
e decidem ficar
nesse instante suspenso.
O silêncio do amor
tem a textura
do veludo antigo,
suave ao toque da alma,
resistente ao tempo
que insiste em correr.
É a linguagem sem voz
dos olhares trocados
sobre a mesa farta
de um jantar
onde as palavras
se tornam desnecessárias.
Os gestos falam mais alto
que qualquer orquestra
ou declaração bombástica.
O toque leve na mão,
a sombra que acompanha
na caminhada lenta,
isso é a música
que só nós ouvimos.
No silêncio,
as verdades se revelam nuas,
sem o verniz da performance
ou a pressa de explicar
o inexplicável laço.
Os medos se acalmam
na certeza mútua,
como rios que enfim
encontram seu leito
e só murmuram
o contentamento da chegada.
É no silêncio
que se escuta o outro
completamente,
sem a interferência
do ruído externo,
do julgamento rápido.
Há silêncios barulhentos,
cheios de coisas não ditas,
de mágoas guardadas
como pedras no bolso.
Mas este silêncio,
o do amor verdadeiro,
é leve,
cheio de paz.
É como a neve
caindo sobre um campo aberto,
abafando tudo,
mas trazendo uma clareza
nova, um branco puro
onde se pode escrever
o próximo passo,
juntos,
sem pressa,
no compasso
desse entendimento profundo
e silencioso.
Um refúgio
onde a alma repousa
e sabe
que está em casa.