“O ritual da Terra”
Terra fértil, amante atraente
Onde o toque era prece
E o corpo o altar
Sexo ritual, ato sagrado.
O amor e a carne
Pertenciam aos Deuses
Não ao desejo solitário
Mas ao ciclo da vida.
Havia condenação, disfarçada de honra
Quando o íntimo se tornava público
E o corpo deixava de ser escolha
Para ser decreto.
Assim se semeavam as sementes
Como agricultura no tempo antigo:
Abrir a terra, lançar o grão
Esperar a abundância.
Havia poder
Havia lei
Havia ordem sobre o corpo
Como sobre o campo arado.
O ventre funcionava
Como a lavoura do império
E a vida seguia o ritmo imposto
Pela mão que governava.
Era a Terra em abundância
Presa ao ciclo de semear
Mas com o controle estatal
E o sagrado obedecia à força.
Filhos do Sol, da Terra, da Lua
assim se desenhava, a ordem universal
Onde o cosmo mandava
E os corpos obedeciam.