“O ritual da Terra”

Poemas | Marlete Dacroce
Publicado em 21 de Janeiro de 2026 ás 13h 54min

“O ritual da Terra”

 

Terra fértil, amante atraente
Onde o toque era prece
E o corpo o altar

Sexo ritual, ato sagrado.


O amor e a carne
Pertenciam aos Deuses
Não ao desejo solitário
Mas ao ciclo da vida.

 

Havia condenação, disfarçada de honra
Quando o íntimo se tornava público
E o corpo deixava de ser escolha
Para ser decreto.

 

Assim se semeavam as sementes
Como agricultura no tempo antigo:
Abrir a terra, lançar o grão
Esperar a abundância.

 

Havia poder
Havia lei
Havia ordem sobre o corpo
Como sobre o campo arado.

 

O ventre funcionava
Como a lavoura do império
E a vida seguia o ritmo imposto
Pela mão que governava.

 

Era a Terra em abundância
Presa ao ciclo de semear
Mas com o controle estatal
E o sagrado obedecia à força.

 

Filhos do Sol, da Terra, da Lua
assim se desenhava, a ordem universal
Onde o cosmo mandava
E os corpos obedeciam.

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