O rio que não é deste mundo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 05 de Outubro de 2026 ás 10h 42min
O Rio que Não É Deste Mundo
Eu estou velejando por um rio
que não é deste mundo,
onde a água carrega estrelas
e o silêncio conhece o meu nome.
Meu pequeno veleiro
desliza entre margens de névoa,
e cada onda que toca o casco
parece trazer uma lembrança
de algum século esquecido.
Não há portos neste rio,
nem mapas que indiquem o caminho.
Somente uma lua distante
pendurada no manto do infinito,
como uma lágrima de Deus
que ainda não caiu.
Às vezes, escuto ao longe
um sino vindo das estrelas,
e sinto que alguém me chama
do outro lado da noite.
Talvez seja o Rei,
perdido entre constelações,
guardando em seus olhos
os oceanos que o tempo levou.
Eu continuo velejando...
Sem saber onde termina o rio,
sem saber onde começa o céu.
E quanto mais avanço,
mais compreendo:
há caminhos que não levam a lugares,
mas àquilo que a alma
passou a vida inteira procurando.
Silêncio...
O rio se abre diante de mim
como um Bósforo de luz.
E o meu veleiro,
pequeno como uma prece,
desaparece lentamente
entre as estrelas.