O Rio que escorre em minha alma

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 19 de Outubro de 2026 ás 07h 41min

 O Rio que Escorre em Minha Alma

 

  Rosy Neves

 

Há um rio que escorre dentro de minha alma,

um rio antigo, de águas sem nome,

que corre em silêncio por entre minhas tristezas

e leva os sonhos que ninguém mais recolhe.

 

Eu navego por ele,

sem bússola, sem mapas, sem destino,

carregando nas mãos algumas estrelas mortas

e no peito a saudade de um tempo esquecido.

 

Às vezes, suas águas são mansas,

como o sono de uma flor ao entardecer;

outras vezes, são lágrimas inquietas

que nem o céu consegue compreender.

 

E eu navego… navego…

por entre névoas e margens desertas,

procurando uma ponte para o infinito,

uma porta que encontre as estrelas abertas.

 

Mas, quando a noite desce sobre as águas

e a lua se desfaz em prata e solidão,

perco-me em alguma margem sem nome,

onde até o silêncio esqueceu minha direção.

 

Quem sou eu, neste rio sem começo?

Que mistério me conduz para tão longe?

Serei apenas uma folha de outono

que a correnteza arrasta e esconde?

 

Ó, rio que escorre dentro de minha alma,

não me digas onde termina o mar…

Deixa-me navegar mais um pouco,

mesmo sem saber onde vou aportar.

 

Talvez exista, além da última margem,

um jardim que floresça dentro do luar;

e ali, entre lírios brancos e estrelas,

minha alma finalmente aprenda a descansar.

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