O rio entre as estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 29 de Agosto de 2026 ás 06h 08min
O Rio Entre as Estrelas
Rosy Neves
Se existisse um rio dentre as estrelas,
eu navegaria sem medo,
mesmo que suas águas fossem feitas
de silêncio, eternidade e mistério.
Deixaria para trás
as margens deste mundo,
as dores esquecidas,
os nomes que o tempo apagou,
e seguiria pelo infinito
como uma pequena embarcação
perdida na imensidão do céu.
Não temeria as tempestades cósmicas,
nem os abismos escondidos
entre uma constelação e outra,
porque Miguel, São Arcanjo,
seria o meu leme invisível.
E quando a noite se tornasse profunda,
quando nenhuma estrela soubesse
indicar o caminho de volta,
eu apenas fecharia os olhos
e confiaria.
Pois haveria uma presença
silenciosa junto às minhas águas,
um sopro sobre as velas,
uma luz guardando o horizonte.
E Miguel conduziria minha pequena barca
por esse rio impossível,
entre estrelas cadentes
e luas adormecidas,
até onde o céu termina
e começa o eterno.
Talvez, então,
eu descobrisse que nunca estive perdida.
Apenas navegava…
Para dentro de mim,
para além do tempo,
para aquele lugar secreto
onde a alma reconhece o céu
antes mesmo de chegar.
E, sob o brilho distante das estrelas,
eu sussurraria:
— Não tenho medo, Miguel…
Enquanto fores meu leme invisível,
até o infinito
eu navegarei.