O rio entre as estrelas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 15 de Agosto de 2026 ás 13h 31min

 O Rio Entre as Estrelas
Rosy Neves
 
Dizem que há um rio dentre as estrelas,
um rio antigo, de águas sem nome,
onde navegantes de mundos distantes
passam lentamente,
como sombras procurando um destino.
 
É uma noite sombrolenta...
 
As constelações parecem cansadas,
e a lua, pálida,
esconde o rosto entre os véus do infinito.
Nada se move.
 
Tudo é um vasto silêncio.
 
Silêncio!
Silêncio!
 
Escutai...
 
Há alguém esperando às margens daquele rio.
 
É o Arcanjo.
 
Está de pé, sozinho,
com as asas recolhidas
e os olhos cheios de eternidades.
 
Talvez espere um barco.
Talvez espere uma estrela perdida.
Talvez espere alguém
que prometeu voltar
antes que a última luz se apagasse.
 
Os navegantes passam...
 
Não dizem palavra.
 
Seus barcos atravessam o rio celeste
carregando saudades de outros mundos,
e cada remo que toca as águas
desperta uma estrela adormecida.
 
Mas o Arcanjo permanece.
 
Imóvel.
 
Esperando.
 
E a noite, tão imensa,
parece chorar sobre seus ombros.
 
Silêncio!
 
Porque há esperas
que nem o universo consegue explicar.
 
E dizem que, quando a última estrela cair,
quando o rio perder seu brilho
e todos os mundos adormecerem,
o Arcanjo ainda estará ali...
 
À margem do infinito,
 
esperando.
 
Esperando alguém
que talvez nunca mais volte.
 
E o rio continuará passando
dentre as estrelas,
 
levando consigo
os barcos,
as lágrimas
e os amores
que o céu jamais conseguiu esquecer.

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