O que o destino desfolhou
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 10 de Maio de 2026 ás 10h 33min
O Que o Destino Desfolhou
Outono, triste outono,
com teus dedos de vento
desfolhando jardins antigos,
levaste contigo
o amor da minha vida.
E agora o mar respira saudades
na imensidão azul do silêncio.
Cada onda que toca a areia
parece chamar por ele
como quem ainda espera
um barco regressar do infinito.
Ah, destino cruel,
por que arrancaste a rosa
antes do amanhecer completo?
Por que deixaste apenas
o perfume da ausência
pairando sobre os meus dias?
As folhas caem devagar
sobre o peito da tarde,
e eu caminho entre lembranças
como quem atravessa
um bosque de fantasmas dourados.
Ainda ouço sua voz
misturada ao canto das gaivotas,
aos sinos distantes do cais,
ao murmúrio das águas
que nunca aprendem a esquecer.
Outono, triste outono...
tu vestiste de cinza
as janelas da minha alma.
E desde então
meu coração tornou-se mar:
profundo, inquieto,
e eternamente cheio
de saudades.