O pintor das estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Abril de 2026 ás 19h 42min
O Pintor das Estrelas
O pincel celestial dança no véu da noite,
traçando sendas de luz sobre o abismo do tempo.
Cada traço é um suspiro do infinito,
cada curva, um segredo que o silêncio guarda.
Entre constelações, o gesto é sereno,
como se o próprio cosmos respirasse em cores.
Nebulosas se abrem em flores etéreas,
planetas giram em torno de um sonho antigo.
Mas quem é o pintor?
Quem guia a mão invisível que molda o firmamento?
Não há rosto, nem sombra, nem voz.
Apenas o eco de um querer que não se mostra.
Talvez seja o sopro do primeiro instante,
quando o nada se fez som e o som virou luz.
Talvez seja o olhar de quem contempla,
e ao contemplar, cria.
O pincel mergulha em tintas de aurora,
espalha o ouro das galáxias,
mistura o azul do mistério com o branco do silêncio.
E o quadro cresce, sem moldura, sem fim.
As estrelas, como notas de uma harpa distante,
vibram em harmonia com o gesto oculto.
Cada brilho é um verso,
cada sombra, uma pausa no poema do universo.
E o pintor?
Permanece além do visível,
onde o tempo não alcança,
onde o nome se dissolve em pura criação.
Talvez o pintor seja o próprio caminho,
a linha que une o ser ao desconhecido.
Talvez o pincel seja o destino,
e o quadro, o espelho do que ainda não somos.
Assim, o céu se faz tela e mistério,
e o pincel celestial continua a traçar,
entre estrelas e silêncios,
a eterna pergunta que brilha:
— Quem pinta o que não se pode ver?