O pequeno viajante

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 14 de Março de 2026 ás 21h 56min

Alenta sussurrando o vento frio da noite,

sobre um navio.

 

Não de madeira salgada,

mas de luz tecida,

navegando um oceano de tinta escura:

o céu profundo.

 

E a bordo,

um pequeno marujo.

Tão diminuto na imensidão que o cerca,

perdido,

mas sereno.

 

Um navegante de poeira estelar,

de um ponto de fogo para outro,

numa busca incessante.

 

Em busca do seu lar.

Mas onde reside este lar para um barco tão celeste?

 

Dizem que cada estrela,

brilhando fria e distante,

é um porto.

 

Um refúgio momentâneo,

um cais de luz pura,

onde ele atraca para repousar o leme cansado.

 

Um abrigo seguro antes de zarpar de novo,

tentando reencontrar o ponto de partida,

o lar primeiro.

 

Mas a jornada continua,

e ele ainda parece perdido.

Um suspiro na vastidão,

um eco sem resposta.

 

Ó meu Deus,

quem é esta alma navegante?

Um anjo desgarrado de suas asas de luz?

 

Ou uma alma errante,

condenada a mapear o cosmos inteiro,

estrela por estrela,

na eterna esperança de um porto final,

que não seja apenas mais um porto,

mas o lar prometido.

 

Seu pequeno navio,

silencioso e firme,

corta o nada,

um mistério flutuante na noite sem fim.

O marujo espera,

olhando para a escuridão,

talvez ele já saiba,

que o lar é a própria navegação.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.