O PAI DA HISTÓRIA INFANTIL
| | 2026/10 Antologia Era uma vez uma palavra | Josivaldo Constantino dos SantosPublicado em 30 de Outubro de 2026 ás 18h 07min
O PAI DA HISTÓRIA INFANTIL
Cá estou com meu cordel
Muito animado de fato
Pra falar de um escritor
Meu verso, é meu artefato
O pai da história infantil
Escritor do meu Brasil
Ele, Monteiro Lobato.
Mil oitocentos e oitenta e dois
Em dezoito de abril
José Renato Monteiro
Lobato, então surgiu
Ninguém imaginaria
A riqueza que deixaria
Pras crianças do Brasil.
Foi em Taubaté, São Paulo
Local do seu nascimento
De família aristocrática
Classe alta do momento
Com fazendas de café
Elite de Taubaté
Do mais alto segmento.
Da esfera da política
Ele nunca se esquivou
Politicamente ativo
Desmandos denunciou
Da soberania nacional
Foi defensor sem igual
E meses preso ficou.
Tornou-se advogado
Fazendeiro, tradutor
Jornalista, empresário
E também foi promotor
Mas, disso eu não vou falar
O meu cordel vai focar
No Lobato, o escritor.
Na política, era afoito
Na arte, conservador
Pra ele, a arte moderna
Não tinha nenhum valor
Criticou seus expoentes
Os chamando de dementes
Malfatti[1], sentiu a dor.
No gênero, conto e fábula
Lobato se destacou
Dentro do pré-modernismo
A sua escrita brilhou
Um contador de histórias
Literatura de glórias
No Brasil edificou.
Suas obras infantis
Com didática e emoção
Navegam por aventuras
E muita imaginação
De uma beleza plástica
Literatura fantástica
Que encanta o coração.
As suas obras abordam
O folclore brasileiro
Traz elementos históricos
Mitológicos por inteiro
Com um enredo muito belo
O Sítio do Pica Pau Amarelo
De encantos, é um celeiro.
Lá, o fantástico acontece
Com mistério e magia
Um sítio bem diferente
Onde reina a fantasia
Com o menino Pedrinho
E sua prima Narizinho
Dupla da estripulia.
Dona Benta, a vovó
Tia Anastácia na cozinha
A boneca de pano Emília
Sempre muito nervosinha
O porquinho Rabicó
E o Saci com uma perna só
Com cachimbo e fumacinha.
O bondoso Tio Barnabé
E o Visconde de Sabugosa
Sabugo de milho falante
Lê muito e é bom de prosa
E a Cuca assustadora
Do sítio, amedrontadora
Bruxa réptil perigosa.
Eu fui lá em Taubaté
Vi a casa onde morou
Com todos os seus pertences
Em museu se transformou
Um sítio muito arrumado
Personagens por todo lado
Muito me emocionou.
No dia quatro de julho
Em São Paulo, faleceu
No ano de quarenta e oito
Esse fato aconteceu
Um acidente vascular
Fez sua vida parar
Mas sua obra não morreu.
[1] Anita Malfatti, pintora expressionista do modernismo (1889-1964)