O outono que não era desse mundo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 03 de Setembro de 2026 ás 13h 31min
O Outono que Não Era Deste Mundo
Rosy Neves
Ele foi embora na chuva,
sem olhar para trás,
e me deixou aqui,
chorando sobre um outono
que não pertence a este século,
nem a este mundo.
As folhas caíam devagar,
como cartas esquecidas
por alguma eternidade distante.
E cada uma trazia
um segredo que eu não sabia ler,
um nome que ninguém ousou pronunciar.
Ele partiu sem nome,
sem lembrança,
sem dor.
Como se jamais tivesse existido
nas páginas frágeis
da história dos homens.
A chuva apagou seus passos,
o vento levou sua sombra,
e a noite fechou as portas
por onde ele desapareceu.
Mas havia algo em suas mãos…
Algo inexplicável,
silencioso,
maior que a própria linguagem.
Ele carregava consigo
uma coisa que a humanidade
ainda não aprendeu a compreender.
Talvez fosse uma estrela,
talvez uma lágrima,
talvez o último fragmento
de um mundo que morreu
antes de nós nascermos.
E eu fiquei…
Sozinha,
sob a chuva,
abraçada ao outono impossível,
ouvindo o coração da terra
bater como um sino distante.
Desde então,
todas as vezes que chove,
procuro seus olhos
entre as nuvens.
E quando uma folha cai
diante dos meus pés,
eu me pergunto:
será que ele voltou?
Ou será que aquilo
que levou consigo
ainda está escondido
em algum lugar do universo,
esperando que a humanidade
finalmente esteja pronta
para descobrir
por que ele veio…
e por que precisou partir?