O outono dorme

Letras de músicas | Canção | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 16 de Abril de 2026 ás 06h 17min

Os sonhos dormem debaixo das folhas secas do outono.

 

O vento sussurra canções antigas e acaricia o chão, empurrando montanhas de dourado e carmesim.

Cada folha, um beijo dado pela estação que se despede.

 

Lá, escondidos,

os sonhos se aninham.

Pequenos brotos de esperança,

promessas guardadas na paleta do tempo.

 

O silêncio não é vazio.

É um convite para escutar o que não tem voz.

O roçar suave, quase imperceptível,

de asas que um dia alçarão voo.

 

Os sonhos,

coloridos como as próprias folhas,

esperam o chamado.

O sol que retorna,

a seiva que pulsa novamente,

o calor que desperta a vida adormecida.

 

Por agora,

repousam seguros.

A terra, um cobertor macio,

os protege do frio que se anuncia.

A noite estrelada,

uma testemunha silenciosa dos seus segredos.

 

Em cada ruela de ouro,

em cada tapete marrom,

há uma história adormecida,

uma canção por ser cantada,

um futuro que aguarda o seu momento.

 

O outono,

com sua generosa entrega,

acolhe a quietude.

Não há pressa.

Apenas a certeza de que após o sono vem o despertar.

 

E então,

o silêncio será quebrado pelo canto dos pássaros,

pelo riso das crianças,

pelo eco vibrante dos sonhos realizados.

 

Mas por enquanto,

observemos.

Contemplemos a beleza serena deste repouso profundo.

Os sonhos dormem,

e o outono canta em silêncio.

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