O murmúrio eterno
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 10 de Maio de 2026 ás 08h 48min
O Murmúrio Eterno
Eu ainda ouço os murmúrios das ondas do mar beijando a praia,
como segredos sussurrados
entre amantes que nunca se cansam.
Um ritmo eterno,
uma respiração constante,
o peito do oceano que sobe e desce,
sempre e para sempre.
O sal no ar,
um beijo salgado que permanece
na pele, na memória,
um eco de liberdade
que a terra nunca pode conter.
Vejo a espuma branca
desfazer-se em rendas efêmeras
na areia úmida,
cada onda uma promessa
que o vento leva embora.
E, nas longas caminhadas,
quando o sol se esconde
e as estrelas começam a pontilhar o céu,
o som é mais profundo,
mais íntimo, quase um lamento.
Um lamento de tudo o que foi levado,
de tudo o que virá,
a sabedoria antiga
que só o mar conhece.
A vastidão que me engole,
a linha tênue
onde o azul encontra o azul,
um convite à imensidão
que somos e que não somos.
As pegadas que deixo
são apagadas pela maré,
um lembrete suave
da transitoriedade de tudo,
exceto este som,
esta canção de ninar ininterrupta.
O murmúrio das ondas,
um portal para o silêncio
dentro do ruído,
um convite para simplesmente estar,
sentir a brisa
e ouvir.
Ouvir o mar dizer
que ele sempre esteve aqui,
e sempre estará,
enquanto nós,
pequenas criaturas de terra,
vimos e vamos.
Mas o som, ah, o som,
fica.
O som das ondas beijando a praia,
um abraço que nunca termina,
um amor que se renova
a cada instante.
E eu, parada aqui,
na beira do mundo,
me deixo levar por essa melodia
que me lembra quem sou,
e de onde vim,
e para onde, talvez,
um dia,
também irei.
Mas, por agora,
apenas o som,
o murmúrio eterno,
o beijo das ondas na areia.