O meu Eu Lírico
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 18 de Março de 2026 ás 21h 48min
Meu Eu Lírico,
Um turbilhão de sete anos
Com tinta fresca nas mãos
E um sorriso de quem sabe
O segredo das nuvens.
Ele não pede licença ao papel,
A tela é o mundo,
E os pincéis são os dedos
Mergulhados na alegria pura.
Ele pinta estrelas
Com amarelo de gema de ovo,
E ria-se quando o azul do céu
Mistura-se com o vermelho da paixão
Que ele nem sabe o que é,
Mas sente vibrar.
Borda constelações
Com linha de algodão doce,
Pontos gordos e felizes
Que só ele consegue ver de perto.
As palavras dele...
Ah, as palavras!
São borboletas que nascem
De um gargarejo contente.
Ele inventa sons
Que o dicionário dorme sem conhecer.
Um "Glub-glub-zum" para a chuva fina,
Um "Flic-flac-téreo" para o voo da andorinha.
O universo é o seu bloco de anotações,
Rabiscos de um gênio pequeno,
Que desenha montanhas
Com migalhas de pão e sonhos secos.
Ele costura o tempo
Com fios de luz de vaga-lume,
E quando o sol se põe,
Ele grita para a Lua
Com uma palavra nova,
Um "Cricri-luz" que a faz brilhar mais forte.
Não há regras na sua arte,
Nenhum limite para a imaginação solta,
Que corre livre,
Como um cãozinho sem coleira na campina.
Meu Eu Lírico,
É o caos organizado da infância,
Um pequeno mestre-de-obras
Que constrói catedrais de areia
Com a seriedade de quem sabe
Que amanhã,
Tudo pode ser pintado de novo.
Ele transforma o medo em bolhas de sabão,
E a tristeza em balões esquecidos
Que sobem, sobem,
Até virarem pontos coloridos no infinito.
E quando me canso de ser adulto,
Eu o deixo brincar um pouco mais,
Deixo que ele use a minha voz
Para sussurrar ao vento
As sílabas que fazem o mundo girar
Em um ritmo alegre e descompassado.
Um poeta maluquinho,
Que usa a palavra que não existe
Para dizer o que sempre foi verdade,
Sem precisar de explicação.
Apenas de cor e um pouco de coragem.
Comentários
Que espetáculo de metáforas, analogias , sonoridade e simbolismos misturados.
Keila Rackel Tavares | 18/03/2026 ás 22:30