O meu Eu esquecido

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 21 de Março de 2026 ás 23h 01min

O meu Eu esquecido

caminha em silêncio dentro de mim,

como um quarto fechado

onde a luz ainda insiste em entrar pelas frestas.

 

Ele me chama baixinho

nas noites em que o mundo se cala,

e a pressa adormece

sobre os ombros cansados do dia.

Há nele um céu antigo,

intacto, profundo,

onde as estrelas não se apagam

com o sopro das dúvidas.

 

É esse Eu que ainda sabe

o nome das constelações

que inventei quando criança,

e que o tempo tentou apagar

com suas mãos de poeira.

 

Às vezes, quase o escuto —

um sussurro de infinito

entre os ruídos do agora.

 

Ele me lembra

que já fui vasto,

que já fui luz,

que já dancei com o universo

sem medo de cair.

 

E então eu paro,

respiro fundo,

e por um instante raro

me reencontro:

não inteiro,

mas aceso.

 

Porque dentro de mim

— ainda —

há alguém

que se lembra das estrelas. 

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