O menino e o vento

| Poesia Existencial | 2026/3 Antologia Rascunho do Eu: enquanto me escrevo | Romeu Donatti
Publicado em 15 de Março de 2026 ás 17h 06min

O guri coleia pela estrada cascalhosa

Na ânsia de alcançar o alto da colina

Araucárias desnudam-se matreiras

Em verso, em fileiras, em prosa

Alvorecer de alegria matutina

O vento lhe navalha a face

O frio mimetiza-o na neblina

O lápis lhe confere o passe

A palavra escorre atrás da cortina

 

O garoto rompe a inóspita floresta

A sinopse da vida tece-se tão distante

Suas mãos não lhe traem um só instante

E pelas letras sua paixão se manifesta

 

O homem espia pela porta entreaberta

Enquanto escreve, sente, se descreve

Quem o vê assim, vê apenas uma fresta

Seu esboço, seu rascunho, se reescreve

Viver sem amar jamais se atreve

Todoamar de fato é o que se deve

 

A escrita ensina e aflora ao amanhecer

O verbo se faz verso

O vento se faz sol e desvela ao entardecer

Verbo e verso, menino e vento, o saber

Leitura e movimento, liberdade e prazer

Todoamar valida a experiência do aprender

Canção de suave melodia, a vida vira poesia

 

Uma de suas faces carrega suas memórias.

O viu nascer.

A outra embala o sonho, cinge o horizonte.

Esta lhe viu aprender.

Hoje o homem não pertence a lugar algum,

em seu íntimo mais profundo

vagueia solto, preso ao mundo.

Comentários

O poeta quer mostrar em seu poema que, desde menino até se tornar adulto, o ser humano é esse esboço, esse rascunho e se reescreve mostrando que a vida é uma obra em constante edição. Em suma, o ser humano é um rascunho que nunca estará pronto, sempre pedindo aprimoramento!

Lorde Égamo | 15/03/2026 ás 21:02
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