O marujo das névoas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 15 de Abril de 2026 ás 11h 56min

O Marujo das Névoas

 

Longe, nas névoas das fábulas,

vive um marujo de olhos cansados de sal.

Seu olhar, farol de memórias,

reflete o cansaço das ondas que voltam sempre iguais.

 

O remo em suas mãos —

tronco antigo de um tempo sem bússola —

traça mapas de marés sem nome,

onde o vento escreve segredos que ninguém lê.

 

Há um silêncio que o segue,

feito de gaivotas perdidas e promessas afogadas.

Cada estrela que nasce no horizonte

é um porto que nunca alcança.

 

Mas ele rema,

como quem busca no infinito

a lembrança de um rosto,

ou o eco de um canto esquecido no mar.

 

E quando a aurora toca o espelho das águas,

o marujo sorri —

pois sabe que o destino não é chegar,

mas continuar navegando nas névoas das fábulas.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.