O Infinito, Simplesmente

Prosa Poética | Rose Correia
Publicado em 06 de Janeiro de 2026 ás 09h 11min

Sinopse:

Infinito, Simplesmente nasce de um caminhar sem destino. A narradora atravessa o infinito como quem se deixa conduzir — por cores que se transformam, por nuvens densas, por silêncios que acolhem. Entre passos e pausas, o texto se move onde o sentido não se impõe, apenas acontece. Não há respostas, apenas presença. E no espaço onde tudo se aquieta, o infinito permanece — simples, vasto e inteiro.

 

O Infinito, Simplesmente

 

Eu caminhei no infinito

como se o cosmos tivesse me puxado para dentro dele,

levando-me a andar sobre flocos de algodão.

Quanto mais para além eu ia,

mais no infinito eu me via.

Era como se tivesse sido estendido um tapete no infinito,

tão vasto e branco quanto a neve.

Eu estava nele. Caminhei um pouco mais

e me encontrei ainda mais dentro do infinito.

Pouco a pouco, o branco cedeu lugar ao azul,

um azul profundo,

da cor do céu que não termina

e do oceano que não devolve respostas.

Ali, apenas a canção do silêncio

respirava sobre o infinito.

Mais adiante, outro tapete se revelou:

as sete cores do arco-íris

se abriram sob meus pés.

Perdi-me nelas —

tão vivas, tão próximas,

que eu podia senti-las

escorrendo por entre os dedos.

Aos poucos, as cores começaram a se confundir,

o brilho perdeu a nitidez,

e aquilo que era encanto

tornou-se vertigem.

Nada fazia sentido

e, ainda assim,

todo o sentido parecia nascer ali.

Segui adiante.

As cores se apagaram em silêncio

e o céu começou a pesar.

Caminhei entre nuvens carregadas,

rasgadas por relâmpagos,

atravessadas por trovões que ecoavam por dentro.

Cada passo era entrega,

não havia direção,

apenas atravessar.

O corpo seguia,

mas era a alma que caminhava.

Então, sem aviso,

algo clareou por dentro.

O silêncio não pesava,

acolhia.

E mesmo sem forma,

a luz permanecia.

Não havia medo.

Apenas pausa.

O tempo parecia suspenso,

como se o infinito respirasse.

Fiquei ali,

sem passos,

sem perguntas.

E no silêncio que me envolvia,

o infinito seguia sendo

— simplesmente.

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