O gado e a névoa

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 14 de Outubro de 2026 ás 08h 04min

O gado e a névoa 

 

Rosy Neves 

 

E a névoa… ah, essa névoa!

Caminha sem ter destino,

cobrindo os velhos caminhos,

beijando os chifres do gado,

como um manto peregrino.

Silêncio!

Ouve o rumor dos cascos

na solidão do pasto…

É a voz antiga da terra,

é o tempo passando devagar,

é um mundo que ainda dorme

sob as pálpebras do luar.

Não perturbes o gado

que retumba ao longe…

Talvez procure um abrigo,

talvez conheça um segredo

que nem as estrelas contam.

E eu, perdida entre as névoas,

com a alma cheia de saudade,

contemplo o pasto distante

e sinto que a eternidade

também caminha com o gado,

sem pressa, sem alarde…

Lá longe, muito longe,

um sino rompe o silêncio.

A névoa recolhe os seus véus.

E o gado segue, lentamente,

sob o olhar adormecido dos céus.

 

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