O ESPLENDOROSO MANOEL DE BARROS

| | 2026/9 Antologia O invisível que a palavra revela | Josivaldo Constantino dos Santos
Publicado em 29 de Setembro de 2026 ás 18h 20min

O ESPLENDOROSO MANOEL DE BARROS

Cuiabá gera um poeta

Corumbá o acolheu

E desde seus treze anos  

Em Campo Grande viveu

Escritor sensacional

Íntimo do pantanal

Várias obras, escreveu.

 

“O poeta das miudezas”

Da poesia “crianceira”

Mostra o avesso do mundo

Com sua sutil maneira

Pré-Coisas não valorizadas

Por ele são enxergadas

Mostrando a nossa cegueira.

 

Ele é Manoel de Barros

O Fazedor de Amanhecer

Em seu Livro Sobre Nada

Fala sobre o “dessaber”

E digo, antes que me esqueça

Livro de ponta cabeça

Só serve para “desler”.

 

Pra “falar com as paredes

E com as moscas também”

Escreve o “idioleto”

Dialeto melhor não tem

Só os idiotas usam

E desse dialeto abusam

Pois a eles, isso convém.

 

Nasceu pra “administrar

O à-toa, o em vão

O inútil”, pois, é essa

Sua belíssima missão

Tem “orgulho do imprestável”

Pra ele, é muito agradável

“Os objetos sem função”.

 

Atento às “miudezas”

Faz “o nada aparecer

É um empobrecimento”

Se “o nada se perder”

Faz “da tolice um regalo”

E sobre Barros eu falo:

Outro igual tá pra nascer!

 

Diz que a “palavra poética

Para ser séria” terá

“Que chegar ao grau de brinquedo”

E fala sem hesitar

E “as ciências que analfabetam”

São essas que lhe despertam

Propiciam o “adivinhar”

 

O Livro das Ignorãças

É “didática de invenção”

Nele, “as coisas que não existem

São mais bonitas”, e então

“desinventar objetos”

É desarrumar os certos

E dar-lhes outra função.

 

“O dia adormece antes

Ao lado de um pardal [...]

E um sapo engole as auroras”

Isso não é genial?

“Pegar moscas no hospício

E banhá-las”, que sacrifício!

Não é sensacional?

 

Palavra tem “deslimites”

Nada, carece explicar

Toda palavra tem “tripas”

Pra entender, tem que tirar

E a “vasilha de dormir”

É uma “rede”, pode rir!

Isto, é “desnomear”.

 

As “nadezas” engrandecem

“Águas iniciam rãs”

E quem não o compreende

Vê apenas frases vãs

Vem com uma visão estática

Não entende sua “agramática”

Não anda em seus amanhãs.

 

- “Prezar o que é desprezível

É coisa que me apraz

Me procurei a vida inteira

E nunca me achei” mais

“Só faço coisas inúteis”

São inúteis, e não fúteis

Barros, é “ocaso” demais.

 

Manoel de Barros é

Um poeta original

Um criador de linguagens

De estilo sem igual

É irônico, humorista

Da palavra, é malabarista

Um poeta maioral.

 

Nada nele é previsível

Tudo nele é criação

Uma escrita que entusiasma

Com tom de provocação

Provoca alumbramento

Inquieta o discernimento

E causa perturbação.

 

Seus Poemas Concebidos

Sem Pecado para ler

São Poesias que dão vida

A vidas que não se vê

Em Matéria de Poesia

Barros, é só maestria

É o que de bom pode ter.

 

 

*poema com base nas obras O livro das ignorãnças (1993) e Livro sobre nada (1996)

 

 

 

 

 

 

 

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