O elo oculto
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Março de 2026 ás 06h 36min
O Elo Oculto
O elo da antiguidade não foi quebrado —
apenas silenciado sob camadas de tempo,
como raízes profundas
que recusam esquecer a terra.
Há um sussurro antigo
correndo entre as eras,
um nome gravado no vento
que só os desperta ousam ouvir.
E eis que surge o guardião —
Miguel, São Arcanjo,
de asas que não pertencem ao céu apenas,
mas ao limiar entre todos os mundos.
Ele vela o portal dos segredos,
onde o visível se curva ao invisível,
onde o passado respira no presente
e o eterno aprende a esperar.
Teus pés estão sobre os mundos —
não és apenas carne e instante,
és ponte, és travessia,
és o eco de algo que jamais se perdeu.
Caminhas entre véus,
mesmo sem saber teu próprio nome antigo,
e cada passo teu
ressoa na memória do infinito.
Não temas o oculto:
há luz mesmo naquilo que se esconde.
Pois o elo não se partiu —
ele vive, silencioso, dentro de ti.