Ó Eleito
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 17 de Maio de 2026 ás 14h 30min
Ó eleito
de Rosy Neves
Ó eleito, quando descerá
do teu castelo de névoas?
A bruma que te envolve,
um véu de promessas sussurradas,
esconde a forma exata do teu ser.
Eu te espero aqui,
à beira deste lago,
onde a água espelha um céu
que às vezes chora comigo.
Quando, ó eleito,
colherá os lótus
que florescem teimosamente
na quietude salgada
da minha alma?
São flores de paciência,
de um amor que se recusa a murchar,
mas que anseia pelo toque
do teu olhar.
Cada pétala desdobrada
é um suspiro,
um convite silenciado,
uma pergunta sem resposta.
Os cisnes dançam.
Em silêncio, sim,
mas a sua dança é um aparte,
um ballet aquático
que parece zombar
da minha melancolia.
Eles deslizam, graciosos e certos,
sem saber do peso
que carrego no peito.
As suas asas que cortam a água
ecoam o vazio
que a tua ausência deixou.
Eles são a beleza que me cerca,
enquanto a minha própria beleza
se esconde, insegura,
na penumbra do meu esperar.
Até quando, ó eleito,
esta espera se prolongará?
Até que as minhas lágrimas
sejam rios que transbordam?
Até que a minha voz,
ainda que um sussurro,
se perca no vento?
Tu és a luz que anseio,
o calor que me falta.
O meu lago, sereno e profundo,
aguarda a tua chegada,
a tua presença que dará sentido
a cada flor que desabrochou
e a cada cisne que dança,
testemunha silenciosa
da minha eterna pergunta:
Até quando, ó eleito?