O eco das estrelas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 16 de Maio de 2026 ás 06h 59min

O Eco das Estrelas

 

de Rosy Neves

 

Ouvi um eco.

Não vinha da terra,

nem das águas cansadas dos mares antigos,

nem dos ventos que vagueiam

pelas montanhas adormecidas.

 

Veio das estrelas.

Um chamado secreto,

costurado em uma língua estranha,

feita de fogo, eternidade

e clarões invisíveis.

 

Os homens ergueram máquinas,

mapas, telescópios e teorias,

tentaram decifrar o murmúrio celeste,

mas a voz escapava

como um cometa atravessando o infinito.

 

Nenhum ser humano compreendeu.

Mas eu compreendi.

Porque minha alma tremeu

como um jardim tocado pela tempestade divina.

Porque meu coração reconheceu

o peso sagrado daquela presença.

 

Era ele.

Miguel Arcanjo

de asas incendiadas,

atravessando os mares do cosmos

com sua espada feita de alvoradas.

 

Seus olhos continham galáxias moribundas,

e em suas mãos brilhavam

as chaves dos portões eternos.

 

Ele chamou meu nome

não com palavras humanas,

mas com centelhas.

Com silêncio.

Com estrelas quebradas de saudade.

 

E eu caí de joelhos

na beira invisível do universo,

enquanto o céu abria lentamente

suas flores de luz.

 

Desde então,

todas as noites escuto o mesmo eco

atravessando as distâncias infinitas —

um canto místico, antigo,

que nenhum homem consegue traduzir…

mas minha alma reconhece

como quem reconhece

a voz de casa.

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