O dia em que o Rei chorou
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 22 de Agosto de 2026 ás 17h 48min
O Dia em que o Rei Chorou
Rosy Neves
Quando meu corpo descansava
na sombra fria da terra,
e o silêncio cobria meus ossos
como um manto de inverno,
senti uma lágrima cair do céu.
Era o Rei chorando.
E suas lágrimas,
quentes como estrelas recém-nascidas,
atravessaram a escuridão
e tocaram minha alma adormecida.
Naquele instante,
meus olhos voltaram à vida.
Vi novamente as constelações,
ouvi o rumor distante das galáxias,
e meu coração, que já não pulsava,
começou a bater
como um tambor perdido no infinito.
Mas o Rei não era deste mundo.
Era comandante estelar,
senhor de uma frota silenciosa,
nascido em algum lugar
além das fronteiras do nosso céu,
em outra galáxia,
sob outro sistema solar.
Dizem que reis não choram.
Mas naquele dia,
o universo inteiro pareceu parar
para ouvir o pranto daquele Rei.
E eu compreendi:
há lágrimas que não pertencem à terra,
lágrimas capazes de atravessar mundos,
romper a noite,
despertar mortos de seus sonhos
e devolver luz
a uma alma esquecida.
Quando o Rei chorou por mim,
a terra deixou de ser fria.
E entre as estrelas,
muito além do último horizonte,
uma voz sussurrou:
— Levanta-te…
ainda não terminou a tua travessia.