O Despertar
| Crônica | 2026/05 Antologia Dias escritos em prosa | Rosemeire Santos SilvaPublicado em 06 de Maio de 2026 ás 21h 11min
Despertar Bauru.
Houve um tempo em que por aqui tudo era calmo; até as estações eram bem definidas. O único barulho era o canto dos passarinhos, que gentilmente anunciava o novo dia. Mas, quando a cidade acorda, por volta das cinco da manhã, inicia-se um caos que mais parece um episódio da Corrida Maluca.
O trânsito da cidade é uma loucura à parte. Entre "barbeiragens", buzinas estridentes e acidentes evitáveis, o que se vê é a escassez de respeito. A gentileza parece ter ficado no acostamento, dando lugar a uma sensação de "terra de ninguém" — ou melhor, um trânsito de ninguém.
Bauru é uma cidade que se expande por si só; cresce quase por um ímpeto próprio. Entre seus habitantes, misturam-se os itinerantes, atraídos pela vasta variedade de faculdades que pulsam por aqui. Contudo, às vezes, sentimo-nos massacrados por esse crescimento desorganizado das grandes cidades, que acabam perdendo sua característica de interior — daquelas onde o sorriso e o "bom dia" eram ofertados sem pressa.
Hoje, andamos atentos, engessados, perplexos e, por vezes, humanamente desumanos. Mas ainda estamos aqui. Ainda há a possibilidade de retornarmos ao ponto onde nos perdemos, abrindo novos caminhos para o coração e permitindo que a vida siga mais leve.
Afinal, o coração da nossa cidade ainda pulsa!
Comentários
A crônica de Mary Cloe nos leva a refletir: Imagino a frustração de uma pessoa que nasceu e teve sua infância num lugar tão calmo onde as pessoas se fitavam, conversavam e podiam sorrir, para hoje, quando vê seu torrão transformado numa metrópole barulhenta, onde as pessoas tropeçam umas nas outras mas não se tocam, creio que em razão da correria em que se tornou não se falam, sequer se olham mais!
Obrigada por ler e comentar!
Me lembrei de um tempo em que se corria e se faziam várias brincadeiras, como: polícia e ladrão, esconde -esconde, chuta-lata, queimando, cancão, pula-corda, elástico, entre outras, depois a gente corria para casa para tomar banho e jantar, antes da mãe aparecer com chinelo na mão,rs3
Obrigada querida por comentar, boa lembrança!